02/04/2018 - Fusões e aquisições crescem 3,6% no Brasil


Especialista destaca as vantagens, desafios e riscos envolvidos nos processos de fusões e aquisições no país

O número de fusões e aquisições cresceram 3,6% em 2017 no Brasil, totalizando 143 operações, ante 138 em 2016.  Essa operações movimentaram R$138,4 bilhões em transações, de acordo com dados divulgados pela Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais) em março de 2018.

Essas consolidações exigem profissionais alinhados a um mercado em constante crescimento. De acordo com Leonardo Theon de Moraes, especialista em Direito Empresarial e Mestre em Direito Político e Econômico pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, a concretização das operações de Fusões e Aquisições é resultado de um processo complexo de negociação. Segundo ele, para que tenha sucesso, são necessários certos cuidados.

 

Vantagens e desafios no processo de Fusões e Aquisições

As operações de fusão e aquisição trazem inúmeras vantagens. Entre elas, estão:

No entanto, também demandam a superação de novos desafios. “É muito comum que ocorra certa dificuldade de integração cultural e gerencial. Além disso, o processo de transição pode apresentar gastos financeiros elevados e causar aumento na interferência estatal”, recorda o especialista.

 

Fatores que podem influenciar as Fusões e Aquisições no Brasil em 2018

Para o especialista, embora a volatilidade gerada pela eleição presidencial de outubro possa pesar sobre a atividade dos mercados de capitais, não são esperados grandes impactos sobre a atividade de fusões e aquisições. “De fato, para os potenciais compradores, a aprovação da reforma da previdência se torna mais relevante do que a eleição.”

Outro fator que influencia o crescimento das fusões e aquisições no mercado brasileiro são as empresas interessadas em internacionalizar suas atividades e optarem pelas medidas de crescimento externo ou compartilhado (aquisições, fusões ou joint ventures). “A negociação que ocorreu no início do ano com a compra da empresa de aplicativo de transporte urbano 99 pela empresa chinesa Didi Chuxing ilustra bem este caso.”

 

Empresários subestimam os procedimentos e riscos

Os erros mais comuns são relacionados à vontade dos empresários em subestimar os procedimentos e riscos inerentes à estas operações. Para minimizar os possíveis problemas, as fusões e aquisições devem ser estruturadas em quatro etapas: fase preliminar, auditoria, propostas e fechamento.

Em todas essas fases, as partes devem manter a sua própria credibilidade e valorizar o poder da informação. “Os envolvidos não podem dar espaço à ganância ou à absoluta má-fé de querer levar vantagem em tudo, sob risco de, não só perder a negociação, mas também prejudicar a sua imagem e a sua marca perante o mercado”, enfatiza.

Leonardo Theon de Moraes conclui que em toda negociação, quem tem mais informação, adquire maior poder de barganha. “Portanto, não subestime a necessidade de contar com bons consultores, assessores financeiros e advogados.”