08/05/2016 - Incerteza afasta os investidores estrangeiros Compartilhar Imprimir.


As incertezas sobre a recuperação da economia brasileira têm anulado os benefícios da desvalorização do real, que deixa os ativos do País mais atrativos para os estrangeiros, avaliam advogados da área de fusões e aquisições (M&A).

O sócio de M&A do Trench, Rossi e Watanabe Advogados, Alberto Mori, destaca que o processo de avaliação da empresa, o chamado valuation, na verdade é um esforço para se antever, na medida do possível, como estará a empresa no futuro. E nesse quesito o Brasil não vai bem. "Mesmo que os preços das empresas estejam num patamar interessante, os riscos decorrentes do atual contexto político-econômico não são desprezíveis", afirma ele.

Mori destaca que o executivo estrangeiro não tem dificuldade em mostrar aos seus superiores que há oportunidade em termos de preço no Brasil. Mas quando se trata de estimar a taxa de retorno sobre investimento da aquisição, a incerteza prospera. "Quantos anos para recuperar o investimento?", questiona Mori.

A queda dos preços dos ativos brasileiros é explicada principalmente pela desvalorização do real frente ao dólar, conta o sócio do Tess Advogados, Eduardo Carvalho Tess Filho. Em janeiro, a cotação da moeda norte-americana estava em R$ 2,69. Já em dezembro, a taxa passou para R$ 3,87, aumentando o poder aquisitivo de quem compra em dólar.

Mas Tess entende que os aspectos negativos do País também são muito relevantes na tomada de decisão. "O Brasil vive um cenário político e de confiança que arrastou o País para uma crise econômica grave. Pior, sem perspectiva de um desfecho no curto ou médio prazo e com sinais de que ainda pode piorar", afirma.

Os especialistas levantam outra questão: a mesma taxa de câmbio que barateia o investimento também emagrece os dividendos enviados para o exterior. "Ninguém vai querer pagar em dólares americanos um ativo que vai gerar receita em reais", destaca Tess.

Por outro lado, ele diz que a maré pode mudar de repente, dependendo do que ocorrer no cenário político. Tess entende também que uma vez desencadeada, a recuperação brasileira deve ser rápida, e que então o País pode voltar a receber grande atenção dos estrangeiros. "Dos grandes mercados mundiais em desenvolvimento, tais como China, índia e Rússia, o Brasil ainda é, sem dúvida, o mais amigável e mais próximo culturalmente aos norte-americanos e aos principais países europeus."

Se de um lado os investidores com aversão ao risco podem procurar em outros mercados empreitadas menos ambiciosas, de outro os empreendedores que gostam de risco podem encontrar boas oportunidades no Brasil.

Mori explica que há no mercado uma quantidade grande do que se chama de distressed assets, ativos vendidos por empresas às vezes já à beira da falência. "A venda nesse caso é uma medida desesperada e urgente para que a empresa possa gerar caixa e honrar suas obrigações", explica ele.

Para Mori, o grande volume de ativos sob estresse é resultado indireto dos escândalos de corrupção, que afetam toda a cadeia de fornecedores das companhias envolvidas. Apesar de esses ativos em muitos casos estarem atrelados a riscos de muitos tipos, ele entende que bons profissionais conseguem mensurar essas dificuldades para viabilizar a operação. "Há belas oportunidades nesse tipo de ativo".

Roberto Dumke Fonte:http://www.aasp.org.br/aasp/imprensa/clipping/cli_noticia.asp?idnot=20767